Outlander e as paisagens escocesas de tirar o fôlego

*Este texto contém spoilers

Outlander é uma série de aventura e fantasia criada pelo produtor Ronald D.Moore (Star Trek) e lançada no canal Starz em 2014. O seriado já está na sexta temporada e possui um elenco extenso, com atores como Caitriona Balfe (Truque de Mestre, Ford vs Ferrari e Belfast), Sam Heugham (Ascensão do Cisne Negro, Doctors, O Príncipe e Eu), Tobias Menzies (Roma, Game of Thrones e The Crown), Sophie Skelton (Doctors e 211), Maria Doyle Kennedy (Os Tudors e Orphan Black) e Lotte Verbeek (Os Borgias e A Culpa é das Estrelas).

Baseada nos livros da escritora estadunidense Diana Gabaldon, a série conta a história da inglesa Claire Randall, enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial. Com o fim da guerra, Claire viaja às terras altas da Escócia com seu marido, Frank, para uma reaproximação após os anos separados por conta do conflito. Mas, ao visitar as pedras de Craigh Na Dun, Claire é misteriosamente transportada para 1743, durante os levantes jacobitas (rebeliões e batalhas que ocorreram no Reino Unido entre 1688 e 1746). Na Escócia de 200 anos antes, ela conhece o guerreiro escocês Jamie Fraser e o capitão inglês Jonathan “Black Jack” Randall, antepassado de Frank.

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Dougal Mackenzie e os “casacas vermelhas” (episódio 10 da segunda temporada)./ Reprodução.

Para mim, um ponto muito forte da série é a fotografia. Outlander mostra as paisagens de tal forma que bate a vontade de viajar no tempo para conhecer terras longínquas! Lembrando que por se tratar de um seriado, a equipe responsável pela fotografia é enorme, podendo variar conforme o episódio e temporada – assim como ocorre com a direção.

A abertura de Outlander é linda e dialoga muito bem com o enredo, além de trazer um quê de magia e mistério para a série. A música, The Skye Boat Song, foi composta pelo artista estadunidense Bear McCreary e cantada por sua esposa, Raya Yarbrough. Curiosamente, Skye, que aparece tanto no título quanto na letra da canção, é uma ilha escocesa.

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Claire em Inverness, 1945 (episódio 1 da primeira temporada). / Reprodução.

Dispensa falar que os tons de cores e os figurinos usados ao longo dos episódios contribuem para compor uma atmosfera de época que não deixa de ser elegante ou glamourosa. Na minha opinião, todos os outfits mostrados são lindos, mas a segunda temporada deixa o telespectador de queixo caído com os coloridos looks da corte francesa. Vale puxar o gancho para falar que a série é bastante certeira nos fatores históricos, o que é muito legal para aprendermos algo sobre outros tempos, mesmo que superficialmente. Inclusive, muitos dos lugares mostrados são reais e podem ser visitados hoje em dia.

Outro ponto muito relevante é que Outlander é protagonizada por uma mulher. Claire é uma personagem forte, perspicaz, humilde e humana que, enquanto usa seus conhecimentos modernos sobre botânica e medicina, está aprendendo a lidar com sua nova realidade no século XVIII. Além disso, a série é majoritariamente narrada por ela; consequentemente, apresenta suas impressões sobre o que está acontecendo.

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A segunda temporada é ambientada tanto na França de Louis XV quanto na Escócia (episodio 2 da segunda temporada). / Reprodução.

Também considero falar que as duas primeiras temporadas dão vida a um dos vilões mais terríveis e complexos dos seriados de televisão (pelo menos dos que já vi): “Black Jack” Randall. Sinceramente? Se você não ficar morrendo de raiva e nojo do cara, alguma coisa está errada.

A história é muito boa, a narrativa é entrelaçada e bem construída e as atuações são perfeitas. Tudo flui tão bem que em certos momentos esquecemos que Outlander é, acima de tudo, uma série de fantasia – particularmente, acho viagem no tempo um tema fascinante, especialmente por intrigar a mente, mas não é sempre que esbarramos em um filme/seriado/livro que trabalha tão bem com a temática.

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Jaime e Claire em cena mostrada durante o trailer da quarta temporada. / Reprodução.

No entanto, um ponto problemático sobre o seriado, ao meu ver, é o uso recorrente de estupro como recurso narrativo – e não só de personagens femininas. Acredito que algumas situações da história poderiam ser resolvidas de outro modo que não utilizando o abuso sexual como saída. Isso porque o desenrolar da trama faz parecer que aquele personagem só é forte ou resiliente o bastante por conta da violência que sofreu, sendo que existem muitas outras variáveis capazes de formar a personalidade de alguém – e escrevo isso levando em conta, principalmente, a figura de Brianna Fraser. 

A personagem de Sophie Skelton, na minha opinião, poderia ter um dos melhores arcos ao longo da série; contudo, parece que os roteiristas só conseguiram desenvolvê-la a partir de uma narrativa de estupro, o que é uma pena.

E ainda sobre o assunto, em matéria publicada no VIX sobre a problemática dos estupros nas telas, é apontado que o uso exagerado de violência sexual nos roteiros de filmes e séries pode levar à banalização da violência, já que tende a tornar os telespectadores cada vez menos sensíveis. “Não é que isso vá tornar o estupro e o abuso banais, mas criar o hábito de ver cenas assim tantas vezes pode mudar nossa conexão emocional com esse problema na vida real”, Lisa Cuklanz, pesquisadora da Universidade de Boston nos Estados Unidos, falou ao VIX.

Cuklanz ainda comentou durante a entrevista: “Apesar de um estupro receber muita atenção em ficções, na vida real muitas vezes esse crime não terá solução alguma, muito menos tanta disposição e recurso para investigações”.

Vale falar também que, em 2016, durante um evento da revista Variety, Women in Motion, a premiada atriz e diretora Jodie Foster reclamou sobre o fato dos estupros serem criados com o propósito de motivar as personagens femininas. “Se você buscar a fundo qual a principal motivação daquela mulher, vai sempre descobrir que era o estupro, porque, por alguma razão, os homens o viam como algo incrivelmente dramático. ‘Bem, isso é fácil! Eu posso simplesmente criar isso do nada e aplicar nela'”, Foster disse.

Por fim, acredito que, apesar de parecer uma série puramente de romance, Outlander funciona para os fãs de Game of ThronesVikingsThe Tudors e por ai vai. No Brasil, é possível assistir a todas as temporadas no canal Star Channel e no streaming Star+ (primo do Disney+ rs 😉 ), mas Outlander também está disponível na Netflix (por enquanto, apenas as temporadas 1, 2, 3, 4 e 5).

Ficha técnica

Título: Outlander (temporada 1 – 6)

Ano: 2014

Lançamento: 9 de agosto de 2014

Distribuição: Starz

Gênero: aventura, drama, fantasia, história, romance

País: EUA, Reino Unido

Roteiro: Anne Kenney, Ira Steven Behr, Ronald D.Moore e Toni Graphia

Produção: Andy Harries, Jim Kohlberg e Ronald D.Moore

Direção: Metin Hüseyin, Anna Foerster, Brian Kelly, Mike Barker, Philip John, Jennifer Getzinger, David Moore, Brendan Maher, etc.

Elenco: Andrew Gower, Caitriona Balfe, César Domboy, Colin McFarlane, David Berry, Duncan Lacroix, Gary Lewis, Graham McTavish, Grant O’Rourke, John Bell, Laura Donnelly, Lauren Lyle, Lotte Verbeek, Maria Doyle Kennedy, Nell Hudson, Richard Rankin, Sam Heugham, Simon Callow, Sophie Skelton, Stephen Walters e Tobias Menzies

Classificação: 16

Duração dos episódios: 55 minutos

Livros: A Viajante do Tempo (1991), A Libélula no Âmbar (1992), O Resgate no Mar (1993), Os Tambores de Outono (1996), A Cruz de Fogo (2001), Um Sopro de Neve e Cinzas (2005), Ecos do Futuro (2009) e Escrito Com o Sangue do Meu Próprio Coração (2015)

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Atualizado em 3 de abril de 2022 às 21h20.

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